O homem da máquina de voar levou seu invento para o querto que lhe fora destinado e o desmontou. Cortando o tecido negro de uma das asas fez para si mesmo um grande capuz; tão grande que cobria todo o seu corpo, do topo da cabeça até os pés. Na verdade, aquele pano já tinha sido confeccionado assim. Era preto, para que, ao ser utilizado como plano das asas, à noite, não podia ser visto pelas pessoas da terra.
E tinha um pequeno grau de transparência, por ter sido feito de uma seda muito fina, que, quando vestido cobre o corpo, não permitia que as pessoas vissem seu rosto, mas deixava que ele visse tudo em torno de si. E tinha mangas, largas e longas, cujas extremidades eram luvas, que vestiam perfeitamente suas mãos.
Da cauda da máquina de voar, ele retirou um grande cabo de madeira sólida, também preto, cuja extremidade frontal, que ficava sob os assentos, quando as pessoas estavam voando, consistia em um grande machado preto, de dois gumes muito afiados. Um dos gumes era dourado, e o outro, prateado.
Vestido naquela capa e portanto o enorme machado, o homem se tornava praticamente invisível à noite, e, de dia, era uma misteriosa e pavorosa mancha negra.
Como tinham passado a noite acordados, tanto o Rei Risonho quanto seu novo amigo dormiram até o meio-dia.
Ao despertar, o Rei Raivoso vestiu suas roupas reais, colocou sua coroa, e desceu as escadarias, para a sala do trono. Ao passar em frente à porta do quarto do novo hóspede, este, que já esperava por ele, o seguiu, silenciosamente, como se fosse verdadeiramente a sombra do rei.
Na sala do trono, o cômodo principal do palácio, destinado ao atendimento real, já estavam presente muitas pessoas. Eram os súditos, que vinham trazer à maior autoridade do pequeno reino suas queixas e pedidos, pedir ajuda e conselhos, e receber, também as ordens reais.
O trono estava ocupado por um dos principais senadores.
